A pesca da tainha volta ao centro de um embate que vai muito além dos números.

O Ministério da Pesca e Aquicultura anunciou neste domingo (7) o encerramento da captura da tainha na modalidade de arrasto de praia após o atingimento de 90% da cota autorizada para a temporada de 2026. A medida segue as regras previstas pela Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51 e determina que as embarcações ainda em atividade tenham até 24 horas para realizar o último desembarque.
A decisão provocou forte reação entre pescadores catarinenses. Para milhares de famílias do litoral, a pesca da tainha não representa apenas uma fonte de renda. Trata-se de uma tradição centenária, transmitida entre gerações e profundamente ligada à identidade cultural das comunidades açorianas que ajudaram a formar Santa Catarina.
O debate não é novo. Em temporadas anteriores, o Governo do Estado já contestou judicialmente as cotas impostas pela União, argumentando que as restrições desconsideram particularidades regionais, geram impactos econômicos relevantes e atingem uma atividade reconhecida como patrimônio cultural catarinense.
A expectativa agora é de que o governador Jorginho Mello volte a questionar a decisão nos tribunais. De um lado, o governo federal sustenta que o controle é necessário para preservar os estoques da espécie e garantir a sustentabilidade da atividade no longo prazo. De outro, pescadores e lideranças catarinenses defendem que a regra, aplicada de forma rígida, ignora a realidade de quem depende do mar para viver.
Entre a preservação ambiental e a preservação cultural, a discussão está longe de terminar. O desafio continua sendo encontrar um equilíbrio capaz de proteger a espécie sem transformar a tradição em vítima da burocracia.
