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Silêncio das ideias a 13 dias das urnas

Editorial: Campanha entra na reta final com ataques em alta e propostas em baixa

Nas urnas, o país cobra conteúdo.
21 Setembro 2026 | Segunda-feira 08h05

Faltam exatos 13 dias para que mais de 158 milhões de brasileiros aptos a votar possam ir às urnas e decidir os rumos do país para os próximos quatro anos.

Pode parecer um pouco poético ou até rebuscado, mas é a verdade. Estamos diante de um dos momentos mais importantes da democracia.

A esta altura, deveríamos estar discutindo diretrizes, metas e caminhos para áreas essenciais, como saneamento, transição energética, saúde pública, educação e desenvolvimento econômico.

No entanto, o que tomou conta do dia a dia e do horário eleitoral é um estarrecedor e ensurdecedor vazio de ideias. A campanha transformou boa parte da discussão pública em uma sucessão de ataques e provocações.

A arena política está ocupada por confrontos pessoais, rivalidades inflamadas pelas redes sociais, memes produzidos para gerar repercussão e cortes de vídeos descontextualizados, quase sempre destinados a alimentar a polarização.

Planos de governo e soluções concretas para os problemas que sufocam o país aparecem pouco. Até aqui, nenhuma discussão realmente consistente ganhou o espaço que merece.

É revoltante constatar o pouco espaço reservado às questões que interessam diretamente ao cidadão. Parece existir uma lógica entre os postulantes ao poder: quanto menos se discute o futuro, menor a necessidade de explicar como enfrentar os desafios do presente.

Prefere-se a cortina de fumaça das pautas morais, das acusações e das ofensas entre adversários. Enquanto isso, pouco se explica sobre como financiar a saúde sem comprometer o orçamento, de onde virão os recursos para enfrentar os problemas da educação básica ou qual será o projeto de desenvolvimento sustentável para o país.

Votar não pode se transformar em um exercício de adivinhação ou, pior, de resignação. O eleitor precisa conhecer prioridades e caminhos para fazer sua própria escolha.

Não é razoável aceitar a mediocridade da discussão política em um momento tão importante para o Brasil.

A eleição está chegando. Restam esta semana e a próxima antes de irmos às urnas, no dia 4 de outubro.

Em meio a tanto barulho, o que mais chama a atenção é justamente o silêncio das ideias.