Disputa envolve três nomes do PL e abre espaço para o MDB

A eleição passou, mas as articulações políticas continuam. Agora, uma das principais movimentações em Santa Catarina envolve a presidência da Assembleia Legislativa. Em entrevista ao programa João Paulo Messer, da Rádio Eldorado, o jornalista e analista político Upiara Boschi revelou os primeiros movimentos de bastidores em torno da disputa.
Com 16 deputados estaduais, o PL terá a maior bancada da Assembleia e três nomes interessados no comando da Casa: Ana Campagnolo, Camilo Martins e Carlos Humberto. Fora do partido, ganha força Fernando Krelling, do MDB, atual vice-presidente do Legislativo e aliado de Jorginho Mello na campanha eleitoral.
O governador já iniciou conversas com o PL e pretende ampliar as negociações com os partidos da base. Segundo Upiara, uma das possibilidades seria dividir os quatro anos da legislatura entre quatro presidentes. A proposta, porém, encontra resistência entre os deputados, que consideram um mandato de apenas um ano politicamente frágil.
Outra composição em discussão colocaria Fernando Krelling na presidência, com o PL ocupando a vice-presidência e assumindo posteriormente o comando da Assembleia.
Durante a entrevista, João Paulo Messer levantou a questão da expressiva votação de Ana Campagnolo, destacando que o mérito eleitoral não representa, necessariamente, as credenciais institucionais exigidas para presidir o Parlamento.
Upiara observou que a presidência depende de entendimento entre diferentes bancadas, inclusive adversários políticos. Ana tem buscado aproximações, embora ainda enfrente dificuldades de diálogo com setores da esquerda.
Nesse cenário, a vice-presidência poderia representar uma etapa de amadurecimento institucional para a deputada, abrindo caminho para uma futura candidatura à presidência.
A disputa está apenas começando. Mas uma condição parece consolidada: com a força da bancada do PL, dificilmente haverá uma definição sobre o comando da Assembleia sem a participação decisiva de Jorginho Mello.
