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O dilema das urnas

Editorial: Eleitor volta às urnas pressionado mais pela rejeição do que pela esperança

Entre a escolha e a rejeição, a dúvida permanece.
31 Agosto 2026 | Segunda-feira 09h06

Vivemos um dilema das urnas. O Brasil caminha para mais um ciclo eleitoral diante de uma encruzilhada conhecida e desgastante. O eleitor brasileiro se vê novamente diante de uma decisão fundamental, movido não pelo entusiasmo com o futuro, mas pelo receio da alternativa.

As pesquisas recentes desenham um retrato incômodo do sentimento nacional. Duas candidaturas que concentram a atenção pública apresentam índices de aprovação e rejeição praticamente espelhados. A eleição transforma-se em uma disputa na qual importa menos quem melhor representa o país e mais quem provoca menor rejeição.

É o que mostram as pesquisas. Nesse cenário de polarização, o debate público é o primeiro sacrificado. A construção de propostas reais para o país dá lugar à troca de farpas, aos ataques pessoais e ao confronto entre adversários.

Discutem-se o passado, as polêmicas e os desacertos dos candidatos, enquanto soluções para educação, segurança, economia e infraestrutura ficam em segundo plano. Refém do ruído das redes e da agressividade das campanhas, o eleitor perde a oportunidade de avaliar planos de governo concretos e possíveis de serem executados.

Para agravar esse quadro, as chamadas candidaturas alternativas continuam em patamares tímidos de aprovação. Falta a esses nomes capacidade para romper o bloqueio da comunicação de massa, mobilizar o eleitorado e criar uma expectativa real de poder.

Sem se apresentarem como caminhos viáveis e competitivos, acabam sufocadas pela lógica do voto útil, que antecipa o duelo final e reduz a diversidade de ideias ainda nas etapas iniciais.

O resultado desse afunilamento é o enfraquecimento da própria democracia representativa. Quando a disputa se limita a dois lados que se alimentam da rejeição mútua, ganha-se a eleição, mas perde-se em governabilidade e consenso social.

E, pior, perde-se a esperança. A cidadania não pode se resumir ao voto no menos pior, como temos ouvido e até repetido.

Enquanto o país não romper esse ciclo e exigir propostas, respeito e instituições sólidas, o brasileiro continuará diante da incômoda tarefa de votar sem encontrar, verdadeiramente, uma opção que o represente.