Brasil que se enrola a cada dia mais

Convivemos, nestas últimas horas, de novo com uma dessas pautas meramente eleitoreiras, entregues como uma solução ao povo brasileiro. Há muito não há mais como enganar o contribuinte com esmola com chapéu alheio. Jogo de palavras, manobras mostradas como bem-intencionadas já não disfarçam mais o que trazem por trás de si.
O desenrola, anunciado pelo governo federal, é de novo um desses jogos para bobo ver. Usando o dinheiro de fundos de segurança do trabalhador, o governo garante aos bancos o pagamento de créditos que eles têm perante os endividados.
Como se fosse um jogo do ganha-ganha, em que o cidadão paga a sua conta e o banco credor recebe, em tempos de eleição a proposta é vendida por uma publicidade que não engana mais.
É o dinheiro do contribuinte usado para garantir que os bancos não tenham prejuízos e que os lucros bilionários não cessem.
O mesmo vale para a escala 6 por 1, em que aparentemente o trabalhador é o beneficiado. Trabalhar menos, conjugado em qualquer tempo, é verbo cujo sinônimo significa faturar menos. Ganhar menos.
Manobras como essas já servem mais para criar cortina de fumaça. Mas o governo, atolado em descrédito, aposta nessas narrativas.
Durante o debate do 6 por 1, não se ouviu uma só vez a defesa da diminuição da carga tributária, da desoneração da folha, que é onde está o grande problema do emprego de carteira assinada.
E esses assuntos ganham de novo espaço na mídia, na pauta do dia.
O fato é que não há mais tempo, nem é tempo, dessas cortinas de fumaça.
Não é só a capacidade de análise do cidadão brasileiro que mudou.
A capacidade de criar programas e narrativas com eficiência já não é mais peça disponível em um governo senil.
