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O bolso regula a mente

Editorial: Economia pune governantes nos EUA, enquanto eleitor brasileiro aceita promessas fantasiosas.

O bolso sente, as urnas respondem. Mas nem sempre o eleitor encontra uma alternativa em que confiar.
05 Novembro 2026 | Quinta-feira 08h01
Começamos o dia com uma reflexão direta sobre o que realmente move as urnas. A maior prova de que é o bolso que regula a nossa mente está no resultado das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. O eleitor americano mandou um recado claríssimo ao presidente Donald Trump de que o caminho escolhido não é o desejado, muito embora ele continue sendo a aposta de preferência de boa parte do país. Perder o controle do parlamento acendeu o sinal de alerta e virou uma ameaça real à estabilidade política, fazendo surgirem até mesmo especulações sobre um eventual impeachment.

Diante desse cenário internacional, o brasileiro se pergunta por que esse mesmo tipo de resposta rápida das urnas não funcionou por aqui. Afinal, o cenário econômico que estamos vivendo é deplorável, dos mais críticos e duros. A explicação pode estar na simples ausência de uma alternativa que passe confiabilidade ao cidadão, ou no fato de sermos excessivamente suscetíveis a promessas fantasiosas.

Enquanto as escolhas de Donald Trump são forçadas a mudar de rumo pelo peso do voto norte-americano, por aqui parece que ainda vivemos num compasso de espera. E a grande questão que fica no ar nesta manhã é: estamos esperando exatamente o que no Brasil? A maturidade definitiva do eleitor, o surgimento de uma opção verdadeiramente melhor ou, quem sabe, a quebra final do encanto da sereia?