EDITORIAL: Entre o otimismo do mercado e as dores da produção

As manchetes que estampam os portais de economia retratam um Brasil em duplo movimento, onde o entusiasmo dos números contrasta com a rotina do setor produtivo. O recorde histórico do Ibovespa e o recuo do dólar demonstram a rapidez com que os grandes capitais reagem aos novos desenhos do cenário eleitoral.
O mercado financeiro opera assim: projeta horizontes com agilidade. No entanto, a economia que bate à porta do cidadão e das empresas exige bem mais do que euforia em telas de negociação. Exige estabilidade, regras claras e previsibilidade para quem, de fato, gera riqueza.
A pauta legislativa no Senado, ao avançar sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, toca no coração da competitividade nacional. Reduzir a carga horária é um apelo social legítimo, mas não pode ocorrer à custa do sufocamento do setor produtivo ou sem um ganho real de produtividade.
Quando Brasília impõe novos custos sem contrapartidas claras, o resultado costuma ser o encarecimento da folha, a perda de competitividade das empresas regionais e a retração nas contratações formais.
Por outro lado, o país vê com otimismo as novas fronteiras energéticas na Margem Equatorial. A Petrobras demonstra a força da nossa engenharia e do potencial produtivo nacional, criando valor real para a sociedade.
Paralelamente, medidas de alívio, como o Desenrola 3.0 e o regramento das plataformas de apostas, tentam estancar feridas do endividamento doméstico. Mas o remédio definitivo para a renda não virá de paliativos ou do jogo. Virá do trabalho com segurança jurídica, responsabilidade fiscal e ambiente favorável a quem produz.
