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O triste fim de um chafariz

Justiça manda derrubar o chafariz do Parque do Rio Maina

21 Outubro 2026 | Quarta-feira 14h50
É lamentável a retirada do chafariz do Parque do Imigrante no Rio Maina. Um equipamento aplaudido quando da sua entrega, mas que o mesmo governo que o construiu teve que derrubá-lo. Tudo porque o entendimento do Ministério Público, corroborado pelo juízo, é de que ele é uma ameaça à manutenção da famosa ACP do Carvão.
O chafariz do Parque do Imigrante era um equipamento barato, muito útil e comemorado pela população, especialmente as crianças, que não viam a hora da chegada do calor para brincar nas águas do chafariz. 
Mas a ACP do Carvão não permite. Assim como não permite tantos outros equipamentos e o próprio parque, todo ele judicializado, porque está em uma área que era de pirita. Área abandonada, flagrante poluição visual e ambiental. O município foi lá e transformou a área e vem travando uma verdadeira guerra com a legislação para manter tudo aquilo que está lá.
Agora a instalação do chafariz é vista como uma agressão, nem tanto ao meio ambiente, mas à autoridade de quem tem o papel de fazer cumprir a lei. Me perdoem, mas este caso é mais um destes em que a lei do bom senso é ignorada. Há um ditado de que a lei é cega, mas a imagem que eu tenho da Justiça é o de uma balança em que olhos estão vendados, mas que o equilíbrio é parte desta imagem da justiça.
Neste caso me parece que o social não pesou em nada. Ou melhor, para a cegueira da justiça o social não tem relevância. Uma pena, o Rio Maina não merecia esta decisão.
Às vezes me pergunto porque a justiça é tão severa no cumprimento de algumas leis e tão branda em tantas outras. Falo da eficácia do sistema judiciário e da sensibilidade de quem a manuseia. É a triste realidade de uma legislação que muitas vezes esquece da vida real da comunidade. Precisamos de mais equilíbrio e menos rigidez cega para o bem do nosso povo.
João Paulo Messer
Jornalista