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Fim da escala 6x1 preocupa setor de hotéis, bares e restaurantes

Joster Fávero alerta para aumento dos custos operacionais e possíveis reflexos nos preços ao consumidor

Joster Fávero alerta para os custos da nova jornada de trabalho.
15 Outubro 2026 | Quinta-feira 09h32

O presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes da Região Sul, Joster Fávero, manifestou preocupação com os impactos da proposta de fim da escala 6x1 no setor de serviços. Em entrevista ao programa João Paulo Messer, da Rádio Eldorado, destacou os desafios que a mudança poderá representar para empresários, trabalhadores e consumidores.

Fávero afirmou que o setor não é contrário à ampliação do descanso semanal e reconhece a importância da qualidade de vida dos trabalhadores. A preocupação está na ausência de contrapartidas que permitam às empresas absorver os novos custos, especialmente em um cenário de elevada carga tributária e aumento das despesas operacionais.

Como exemplo, citou seu próprio estabelecimento, que possui 19 funcionários contratados pelo regime CLT. Segundo ele, a adoção da escala 5x2 poderá exigir a contratação de mais dois ou três trabalhadores, com reflexos diretos na folha de pagamento.

O dirigente também chamou a atenção para a pressão dos custos na gastronomia. Relatou aumentos nos preços de carnes, produtos de limpeza, embalagens e energia elétrica, despesas que comprometem as margens de lucro e dificultam novos investimentos.

Durante a entrevista, o empresário destacou que o repasse desses custos ao consumidor poderá provocar aumento nos preços das refeições e redução do movimento nos estabelecimentos. Para ele, o impacto não ficará restrito aos empresários, mas poderá atingir diretamente o poder de compra da população.

Outro ponto abordado foi o risco de crescimento da informalidade. Fávero avalia que trabalhadores com mais tempo livre, mas sem aumento de renda, poderão buscar atividades complementares para compensar a elevação do custo de vida.

O presidente do sindicato também defendeu o fortalecimento das negociações coletivas e a participação das entidades patronais e trabalhistas na definição de ajustes previstos na legislação.

Na avaliação de Fávero, a combinação entre reforma tributária, mudanças trabalhistas e custos crescentes exige planejamento e medidas de compensação, principalmente para pequenas e médias empresas.

Ao concluir, ressaltou a capacidade de adaptação dos empreendedores brasileiros, mas advertiu que mudanças dessa dimensão precisam considerar a realidade econômica dos setores mais dependentes de mão de obra.