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A vida segue

EDITORIAL: Um novo dia depois das eleições

O futuro se constrói no cotidiano, muito além das urnas.
27 Outubro 2026 | Terça-feira 06h45

Se há algo que a história e o bom senso nos ensinam é que a democracia não começa nem termina no dia da votação. O voto é apenas um capítulo de uma história muito maior. Votar é fundamental, mas o papel do cidadão não se encerra quando aperta a tecla "confirma". Na verdade, é justamente ali que começa uma nova etapa.

Cientistas políticos, analistas e articulistas podem discordar em muitas questões, mas coincidem em um ponto essencial: a política se faz no cotidiano. A rua que precisa de asfalto, a escola do filho, o posto de saúde do bairro, o preço da feira. Tudo isso continua fazendo parte da nossa realidade.

Cobrar resultados e fiscalizar quem assume um mandato são responsabilidades de todos, independentemente da escolha feita nas urnas.

Mas este novo dia também nos convida a refletir sobre nossas vidas e relações. As campanhas passam, os mandatos terminam, os políticos mudam de lado, mas a família continua sendo a mesma. O vizinho ainda estará ali para emprestar uma ferramenta ou desejar um bom dia. O colega de trabalho continuará dividindo a mesma rotina.

Não vale a pena destruir relações permanentes por disputas passageiras. Compreender que a vida segue não significa conformismo, mas maturidade para reconhecer que as diferenças políticas não precisam comprometer o respeito e a convivência.

O Brasil, nossas cidades e o nosso futuro não dependem exclusivamente de quem ocupa uma cadeira em Brasília ou nas prefeituras. Dependem também da maneira como nos tratamos, do respeito às diferenças e da capacidade de seguir trabalhando e construindo o cotidiano.

As urnas fecharam. A vida abriu as portas para mais um dia. Que seja um dia de trabalho, respeito e reconstrução das pontes que as disputas eleitorais possam ter abalado.

Bom dia. A eleição acabou. Vamos trabalhar.