Modelo de aeronave chama a atenção pela sua raridade e história

06 Setembro 2026 | Domingo 11h05
O município de Pedras Grandes ganhou um novo e imponente marco em sua história e vocação turística neste sábado (5). O Parque Casa dos Arcos recebe oficialmente a chegada de um caça AMX, aeronave supersônica que por décadas integrou a frota da Força Aérea Brasileira (FAB) e que agora passa a integrar o acervo de visitação pública do parque, prometendo atrair entusiastas da aviação, moradores e turistas da região Sul catarinense.
Para o prefeito Agnaldo Filippi, a chegada da aeronave vai muito além de uma atração turística, assumindo um forte caráter educativo para a comunidade e visitantes. ?AMX estará exposto ao lado de outras peças emblemáticas da história da aviação, como uma réplica do histórico 14-Bis de Alberto Santos Dumont, transformando o espaço em um verdadeiro museu a céu aberto que conecta diferentes gerações à evolução tecnológica e à ciência aeronáutica", sublinha o prefeito.
Há histórias que atravessam fronteiras, gerações e até mesmo o tempo. A história do AMX A1, que passa agora a integrar o patrimônio de Pedras Grandes, é uma delas.
A lendário caça construído no Brasil pela Embraer, como parte do programa ítalo-brasileiro, não chega a Pedras Grandes apenas como uma aeronave, mas como um instrumento de memória, tecnologia e educação.
O avião representa um dos capítulos mais importantes da história da indústria aeronáutica e da aviação militar brasileira.
Depois de aproximadamente três décadas de serviço na Força Aérea Brasileira, o AMX deixa definitivamente o universo operacional para iniciar uma nova missão: ensinar, preservar memória e inspirar novas gerações.
E é em Pedras Grandes, no Sul de Santa Catarina, que começa essa nova etapa de sua história.
A história do AMX começa na Itália, no final da década de 1970. A Força Aérea Italiana procurava uma nova aeronave de ataque para substituir modelos antigos. Foi então que duas importantes empresas aeroespaciais italianas uniram seus conhecimentos para desenvolver um novo caça-bombardeiro subsônico.
O Brasil entrou oficialmente no programa em 1981, quando os governos brasileiro e italiano estabeleceram requisitos conjuntos para a aeronave. A Embraer passou a integrar o consórcio responsável pelo desenvolvimento e produção do AMX.
A participação brasileira foi muito além da simples montagem de aviões. A Embraer assumiu responsabilidades importantes no projeto e na fabricação de componentes, incluindo estruturas das asas, pilones, sistemas e componentes do trem de pouso. O programa também contribuiu para ampliar a capacidade tecnológica brasileira na produção de equipamentos aeronáuticos sofisticados.
Assim, o AMX tornou-se símbolo de uma parceria entre dois países que, um século antes, haviam estabelecido uma forte ligação por meio da imigração italiana.
O primeiro protótipo do AMX realizou seu voo inaugural em 15 de maio de 1984, na Itália.
No Brasil, o primeiro protótipo construído pela Embraer, o YA-1 FAB 4200, voou em 16 de outubro de 1985, a partir de São José dos Campos. Um segundo protótipo brasileiro, o FAB 4201, realizou seu primeiro voo em dezembro de 1986.
A produção em série começou em meados da década de 1980 e os primeiros exemplares destinados à Força Aérea Brasileira começaram a ser entregues em 1989. A FAB adquiriu 45 aeronaves monoplace e 11 biplaces do programa.
Na FAB, o avião recebeu a designação A-1. Era um caça-bombardeiro projetado para voar em baixa altitude e alta velocidade subsônica, executar missões de ataque, interdição, apoio aéreo e reconhecimento. Sua capacidade de transportar armamentos, operar à noite e realizar reabastecimento em voo ampliou significativamente as possibilidades operacionais da Força Aérea Brasileira.
É nesse contexto que surge o protagonista desta história. O modelo, com número de série de fábrica BX-042, pertenceu à geração inicial dos AMX brasileiros. Ao longo de sua carreira, a aeronave integrou unidades importantes da Força Aérea Brasileira, passando pelo Esquadrão Adelphi, uma unidade de caça da Força Aérea Brasileira criada em 1988 e sediada na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.
Posteriormente desempenhou missões em unidades especializadas na operação do A-1, entre elas o Esquadrão Poker, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. No Esquadrão Poker, o AMX teve uma relação particularmente importante com o reconhecimento tático. Equipado com sistemas e equipamentos específicos, o avião podia realizar missões destinadas à obtenção de informações sobre o terreno e às atividades de inteligência.
Durante sua vida operacional, o modelo hoje em Pedras Grandes também participou de exercícios e atividades que simulavam situações reais de combate, incluindo exercícios de ataque ao solo e reconhecimento.
Foi, portanto, uma aeronave que não ficou restrita aos hangares. Voou. Operou. Treinou. Representou a Força Aérea Brasileira. E fez isso durante décadas.
O AMX também possui uma importante história internacional. O batismo de fogo da aeronave ocorreu com os esquadrões italianos durante a Operação Allied Force, em 1999, quando AMX italianos realizaram 252 missões de combate sobre o Kosovo, sem a perda de nenhuma aeronave. Anos depois, aeronaves italianas do tipo também participaram das operações da OTAN na Líbia.
O AMX brasileiro, por sua vez, foi empregado durante décadas em missões de defesa, treinamento, ataque e reconhecimento, tornando-se um dos mais importantes aviões de combate já operados pela FAB.
A própria Força Aérea Brasileira o descreve como um caça-bombardeiro de ataque ao solo e reconhecimento, desenvolvido em parceria entre Brasil e Itália.
Como acontece com todas as grandes máquinas, chegou o momento em que o AMX de Pedras Grandes encerrou sua vida operacional. Parte dos aviões brasileiros passou pelo programa de modernização que originou o padrão A-1M. Outros exemplares, pertencentes às primeiras gerações da frota, foram retirados de serviço.
A aeronave em exposição permanente no Parque Casa dos Arcos tornou-se, então, fora de serviço e sem possibilidade de retornar aos céus. Seu destino poderia ter sido o desmonte e o desaparecimento de sua estrutura. Mas sua história ainda não havia terminado.
Registros públicos do processo de alienação identificam este exemplar, como sucata de aeronave indisponível para voo, anteriormente localizada no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo, com previsão de corte e descaracterização conforme as normas da Força Aérea Brasileira.
Foi nesse momento que surgiu uma nova possibilidade para aquele avião. Em vez de terminar sua existência como simples sucata, o AMX poderia ganhar uma nova missão.
Em 5 de setembro de 2026, o AMX passa a integrar o patrimônio da Prefeitura Municipal de Pedras Grandes, destinado à exposição pública permanente no Parque Casa dos Arcos. É uma mudança radical de missão. Durante sua vida militar, sua função era voar, reconhecer, proteger e cumprir missões estratégicas. Agora, sua missão será outra: educar.
O AMX é incorporado à seção Aldo Vieira da Rosa, dedicada à história da aviação e às conquistas espaciais. E sua presença ao lado do 14 Bis, de Santos Dumont, cria uma narrativa extraordinária.
De um lado, uma representação dos primeiros passos do homem brasileiro na conquista do céu. Do outro, uma aeronave de combate desenvolvida décadas depois, resultado da engenharia aeronáutica moderna e da cooperação tecnológica entre Brasil e Itália. Entre os dois existe mais de um século de história da aviação.
O 14 Bis representa o início de uma aventura. O AMX representa uma etapa de maturidade tecnológica. Entre eles existe uma pergunta que pode ser feita a cada criança que visitar o Parque Casa dos Arcos:
Como saímos dos primeiros experimentos de Santos Dumont para construir e operar um avião como o AMX? Essa pergunta transforma o parque em uma verdadeira sala de aula a céu aberto.
A geometria pode ser estudada na estrutura da pirâmide de aço inspirada na Ponte Hercílio Luz. A história e a engenharia podem ser compreendidas no carro de boi construído com elementos da antiga ponte.
A imigração e a formação cultural podem ser contadas por meio da memória da Colônia Azambuja. E a evolução da aviação pode ser percebida olhando para duas máquinas separadas por mais de cem anos: o 14 Bis e o AMX.
O AMX de Pedras Grandes não será apenas uma peça para ser fotografada. Ele será um objeto pedagógico. Poderá ajudar professores a falar sobre matemática, física, aerodinâmica, engenharia, tecnologia, história, geografia, indústria, relações internacionais e inovação.
Poderá mostrar aos estudantes que aquilo que hoje parece impossível pode se tornar realidade quando conhecimento, ciência e persistência caminham juntos. E poderá despertar em uma criança o desejo de ser engenheiro, piloto, cientista, designer, pesquisador ou profissional da indústria aeroespacial.
Essa é talvez a maior missão que uma aeronave pode receber depois de deixar os céus.
Há ainda um significado especial para Pedras Grandes. O AMX nasceu de uma parceria entre Brasil e Itália. Pedras Grandes nasceu e cresceu profundamente marcada pela presença dos imigrantes italianos que chegaram à região a partir da Colônia Azambuja, em 1877.
Quase 150 anos depois, um avião criado pela cooperação tecnológica entre os dois países chega a uma cidade cuja história também foi construída pela ponte humana entre Brasil e Itália.
É como se duas histórias se encontrassem novamente. A história da imigração. E a história da tecnologia.
O AMX passou décadas olhando Pedras Grandes de longe, de um céu muito acima das montanhas e vales de Santa Catarina.
Agora, pela primeira vez, ele permanece em terra. Não para representar uma guerra. Não para intimidar. Não para voltar ao combate. Mas para contar uma história.
A história de um projeto que uniu brasileiros e italianos. A história da engenharia brasileira. A história da Força Aérea Brasileira.
A história de milhares de profissionais que projetaram, construíram, mantiveram e voaram essas aeronaves.
E, finalmente, a história de uma cidade que decidiu transformar uma máquina de guerra em uma ferramenta de conhecimento.
O AMX chega a Pedras Grandes no momento em que encerra sua primeira vida. Mas começa outra. Antes, sua missão era voar. Agora, sua missão é ensinar. E, no Parque Casa dos Arcos, o AMX passa a integrar uma coleção que conta uma das maiores histórias da humanidade: a história do desejo de voar, de conhecer, de criar e de ir cada vez mais longe.
Para o prefeito Agnaldo Filippi, a chegada da aeronave vai muito além de uma atração turística, assumindo um forte caráter educativo para a comunidade e visitantes. ?AMX estará exposto ao lado de outras peças emblemáticas da história da aviação, como uma réplica do histórico 14-Bis de Alberto Santos Dumont, transformando o espaço em um verdadeiro museu a céu aberto que conecta diferentes gerações à evolução tecnológica e à ciência aeronáutica", sublinha o prefeito.
Há histórias que atravessam fronteiras, gerações e até mesmo o tempo. A história do AMX A1, que passa agora a integrar o patrimônio de Pedras Grandes, é uma delas.
A lendário caça construído no Brasil pela Embraer, como parte do programa ítalo-brasileiro, não chega a Pedras Grandes apenas como uma aeronave, mas como um instrumento de memória, tecnologia e educação.
O avião representa um dos capítulos mais importantes da história da indústria aeronáutica e da aviação militar brasileira.
Depois de aproximadamente três décadas de serviço na Força Aérea Brasileira, o AMX deixa definitivamente o universo operacional para iniciar uma nova missão: ensinar, preservar memória e inspirar novas gerações.
E é em Pedras Grandes, no Sul de Santa Catarina, que começa essa nova etapa de sua história.
A história do AMX começa na Itália, no final da década de 1970. A Força Aérea Italiana procurava uma nova aeronave de ataque para substituir modelos antigos. Foi então que duas importantes empresas aeroespaciais italianas uniram seus conhecimentos para desenvolver um novo caça-bombardeiro subsônico.
O Brasil entrou oficialmente no programa em 1981, quando os governos brasileiro e italiano estabeleceram requisitos conjuntos para a aeronave. A Embraer passou a integrar o consórcio responsável pelo desenvolvimento e produção do AMX.
A participação brasileira foi muito além da simples montagem de aviões. A Embraer assumiu responsabilidades importantes no projeto e na fabricação de componentes, incluindo estruturas das asas, pilones, sistemas e componentes do trem de pouso. O programa também contribuiu para ampliar a capacidade tecnológica brasileira na produção de equipamentos aeronáuticos sofisticados.
Assim, o AMX tornou-se símbolo de uma parceria entre dois países que, um século antes, haviam estabelecido uma forte ligação por meio da imigração italiana.
O primeiro protótipo do AMX realizou seu voo inaugural em 15 de maio de 1984, na Itália.
No Brasil, o primeiro protótipo construído pela Embraer, o YA-1 FAB 4200, voou em 16 de outubro de 1985, a partir de São José dos Campos. Um segundo protótipo brasileiro, o FAB 4201, realizou seu primeiro voo em dezembro de 1986.
A produção em série começou em meados da década de 1980 e os primeiros exemplares destinados à Força Aérea Brasileira começaram a ser entregues em 1989. A FAB adquiriu 45 aeronaves monoplace e 11 biplaces do programa.
Na FAB, o avião recebeu a designação A-1. Era um caça-bombardeiro projetado para voar em baixa altitude e alta velocidade subsônica, executar missões de ataque, interdição, apoio aéreo e reconhecimento. Sua capacidade de transportar armamentos, operar à noite e realizar reabastecimento em voo ampliou significativamente as possibilidades operacionais da Força Aérea Brasileira.
É nesse contexto que surge o protagonista desta história. O modelo, com número de série de fábrica BX-042, pertenceu à geração inicial dos AMX brasileiros. Ao longo de sua carreira, a aeronave integrou unidades importantes da Força Aérea Brasileira, passando pelo Esquadrão Adelphi, uma unidade de caça da Força Aérea Brasileira criada em 1988 e sediada na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.
Posteriormente desempenhou missões em unidades especializadas na operação do A-1, entre elas o Esquadrão Poker, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. No Esquadrão Poker, o AMX teve uma relação particularmente importante com o reconhecimento tático. Equipado com sistemas e equipamentos específicos, o avião podia realizar missões destinadas à obtenção de informações sobre o terreno e às atividades de inteligência.
Durante sua vida operacional, o modelo hoje em Pedras Grandes também participou de exercícios e atividades que simulavam situações reais de combate, incluindo exercícios de ataque ao solo e reconhecimento.
Foi, portanto, uma aeronave que não ficou restrita aos hangares. Voou. Operou. Treinou. Representou a Força Aérea Brasileira. E fez isso durante décadas.
O AMX também possui uma importante história internacional. O batismo de fogo da aeronave ocorreu com os esquadrões italianos durante a Operação Allied Force, em 1999, quando AMX italianos realizaram 252 missões de combate sobre o Kosovo, sem a perda de nenhuma aeronave. Anos depois, aeronaves italianas do tipo também participaram das operações da OTAN na Líbia.
O AMX brasileiro, por sua vez, foi empregado durante décadas em missões de defesa, treinamento, ataque e reconhecimento, tornando-se um dos mais importantes aviões de combate já operados pela FAB.
A própria Força Aérea Brasileira o descreve como um caça-bombardeiro de ataque ao solo e reconhecimento, desenvolvido em parceria entre Brasil e Itália.
Como acontece com todas as grandes máquinas, chegou o momento em que o AMX de Pedras Grandes encerrou sua vida operacional. Parte dos aviões brasileiros passou pelo programa de modernização que originou o padrão A-1M. Outros exemplares, pertencentes às primeiras gerações da frota, foram retirados de serviço.
A aeronave em exposição permanente no Parque Casa dos Arcos tornou-se, então, fora de serviço e sem possibilidade de retornar aos céus. Seu destino poderia ter sido o desmonte e o desaparecimento de sua estrutura. Mas sua história ainda não havia terminado.
Registros públicos do processo de alienação identificam este exemplar, como sucata de aeronave indisponível para voo, anteriormente localizada no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo, com previsão de corte e descaracterização conforme as normas da Força Aérea Brasileira.
Foi nesse momento que surgiu uma nova possibilidade para aquele avião. Em vez de terminar sua existência como simples sucata, o AMX poderia ganhar uma nova missão.
Em 5 de setembro de 2026, o AMX passa a integrar o patrimônio da Prefeitura Municipal de Pedras Grandes, destinado à exposição pública permanente no Parque Casa dos Arcos. É uma mudança radical de missão. Durante sua vida militar, sua função era voar, reconhecer, proteger e cumprir missões estratégicas. Agora, sua missão será outra: educar.
O AMX é incorporado à seção Aldo Vieira da Rosa, dedicada à história da aviação e às conquistas espaciais. E sua presença ao lado do 14 Bis, de Santos Dumont, cria uma narrativa extraordinária.
De um lado, uma representação dos primeiros passos do homem brasileiro na conquista do céu. Do outro, uma aeronave de combate desenvolvida décadas depois, resultado da engenharia aeronáutica moderna e da cooperação tecnológica entre Brasil e Itália. Entre os dois existe mais de um século de história da aviação.
O 14 Bis representa o início de uma aventura. O AMX representa uma etapa de maturidade tecnológica. Entre eles existe uma pergunta que pode ser feita a cada criança que visitar o Parque Casa dos Arcos:
Como saímos dos primeiros experimentos de Santos Dumont para construir e operar um avião como o AMX? Essa pergunta transforma o parque em uma verdadeira sala de aula a céu aberto.
A geometria pode ser estudada na estrutura da pirâmide de aço inspirada na Ponte Hercílio Luz. A história e a engenharia podem ser compreendidas no carro de boi construído com elementos da antiga ponte.
A imigração e a formação cultural podem ser contadas por meio da memória da Colônia Azambuja. E a evolução da aviação pode ser percebida olhando para duas máquinas separadas por mais de cem anos: o 14 Bis e o AMX.
O AMX de Pedras Grandes não será apenas uma peça para ser fotografada. Ele será um objeto pedagógico. Poderá ajudar professores a falar sobre matemática, física, aerodinâmica, engenharia, tecnologia, história, geografia, indústria, relações internacionais e inovação.
Poderá mostrar aos estudantes que aquilo que hoje parece impossível pode se tornar realidade quando conhecimento, ciência e persistência caminham juntos. E poderá despertar em uma criança o desejo de ser engenheiro, piloto, cientista, designer, pesquisador ou profissional da indústria aeroespacial.
Essa é talvez a maior missão que uma aeronave pode receber depois de deixar os céus.
Há ainda um significado especial para Pedras Grandes. O AMX nasceu de uma parceria entre Brasil e Itália. Pedras Grandes nasceu e cresceu profundamente marcada pela presença dos imigrantes italianos que chegaram à região a partir da Colônia Azambuja, em 1877.
Quase 150 anos depois, um avião criado pela cooperação tecnológica entre os dois países chega a uma cidade cuja história também foi construída pela ponte humana entre Brasil e Itália.
É como se duas histórias se encontrassem novamente. A história da imigração. E a história da tecnologia.
O AMX passou décadas olhando Pedras Grandes de longe, de um céu muito acima das montanhas e vales de Santa Catarina.
Agora, pela primeira vez, ele permanece em terra. Não para representar uma guerra. Não para intimidar. Não para voltar ao combate. Mas para contar uma história.
A história de um projeto que uniu brasileiros e italianos. A história da engenharia brasileira. A história da Força Aérea Brasileira.
A história de milhares de profissionais que projetaram, construíram, mantiveram e voaram essas aeronaves.
E, finalmente, a história de uma cidade que decidiu transformar uma máquina de guerra em uma ferramenta de conhecimento.
O AMX chega a Pedras Grandes no momento em que encerra sua primeira vida. Mas começa outra. Antes, sua missão era voar. Agora, sua missão é ensinar. E, no Parque Casa dos Arcos, o AMX passa a integrar uma coleção que conta uma das maiores histórias da humanidade: a história do desejo de voar, de conhecer, de criar e de ir cada vez mais longe.

João Paulo Messer
Jornalista
