STF não é a origem de tudo, mas ajuda a agravar o que já está desacreditado

Há uma expressão que a gente usa por aqui, quando as coisas andam muito mal que é mais ou menos assim: ? Que fase!!!??, numa mescla de exclamação e interrogação. Pois é, que fase é essa que vivemos. Hoje as atenções se voltam para um julgamento histórico que apesar de acontecer em Brasília, está na rodas de conversas aqui na redação, no bate-papo na empresa ou onde houver alguém daqui onde vivemos. É o tal julgamento do STF.
Mas o que isso impacta em nossas vidas? Eu diria tudo. Olha o que está acontecendo com a eleição. Momento democrático, bonito, oportunidade de escolhermos os nossos representantes. Momento que está passando desapercebido. Ninguém fala dessa eleição. Claro que não é só consequência dessa balbúrdia do STF. Tem a ver sim com a falta de respeito que a classe política passou a ter por conta da sua inoperância.
A que ponto chegamos de Criciúma, que já foi conhecida como a cidade dos maiores movimentos populares, com a força de entidades sindicais como dos mineiros lá nos anos 80. Criciúma que nunca foi indiferente à política nacional. Que nas eleições de 2018 deu uma das maiores guinadas nos resultados das urnas saindo de uma cidade de caráter mais progressista para um perfil mais conservador.
Criciúma foi a cidade com o maior índice de votos da candidatura conservadora, mas já havia sido a cidade com o maior índice de lutas dos operários. Nossa região sempre foi ativa, presente, efervescente. E hoje, o que temos. Um silêncio sobre o mundo político. Vale perguntar por que chegamos a esse ponto? Perdemos a capacidade de nos desinteressar pela força que emana do voto. Eu conto aqui porque acompanho: tem candidatos suspendendo reuniões e comícios porque não tem gente interessada em ouvir propostas. Porque sabe que vai ouvir uma coisa e ver outra.
A que ponto chegamos de não acreditar em quem temos que escolher para nos representar? E sinceramente concluo com a nítida desconfiança de que o que vai acontecer hoje em Brasília é apenas a manutenção deste mecanismo que só nos faz gostar cada vez menos deste tipo de democracia que vivemos. Mas precisamos ser resilientes, não podemos abrir mão de sermos uma região em que o debate sobre as coisas públicas precisam ser prioridade, sob o risco de contribuirmos para que o que está ruim fique ainda pior.

