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Setor varejista na pauta do dia

Um debate inquietante marcou a manhã do rádio em Criciúma

18 Agosto 2026 | Terça-feira 09h10
No momento em que vemos fechamento de grandes empresas do varejo, o programa João Paulo Messer, da rádio Eldorado, hoje, tratou muito sobre o que está acontecendo.
 
A conclusão é de que há uma grande diferença entre estar vendendo e estar saudável. E talvez seja justamente essa diferença que o varejo brasileiro precise compreender neste momento. Os números ainda mostram crescimento nas vendas. O problema é que, por trás das vitrines, dos anúncios e do movimento das lojas, existe uma pressão financeira que não pode ser ignorada. Juros altos, crédito caro, consumidores endividados e empresas carregadas de dívidas formam uma combinação perigosa.
 
O caso das grandes redes que estão recorrendo à recuperação judicial deveria servir como um sinal de alerta para todos. Não apenas para os grandes grupos, mas principalmente para o pequeno e o médio empresário, que muitas vezes não têm gordura financeira para atravessar uma crise prolongada.
 
E aqui está a grande questão: em tempos difíceis, não basta perguntar quanto a empresa está vendendo. É preciso perguntar quanto sobra, quanto custa manter a estrutura funcionando e, principalmente, se o modelo de negócio continua fazendo sentido para o futuro.
 
O consumidor mudou. A maneira de comprar mudou. A concorrência mudou. A tecnologia mudou. E quem não percebe essas mudanças corre o risco de continuar trabalhando muito para descobrir, tarde demais, que o mercado já mudou de direção.
 
Crise também é um processo de seleção. Sobrevive quem consegue controlar custos, preservar caixa, entender o consumidor e, sobretudo, antecipar tendências.
 
Não é hora de pânico. É hora de atenção.
 
Quem administra um comércio precisa olhar para o caixa de hoje, mas também precisa olhar para o comportamento do consumidor de amanhã. Precisa perguntar se a loja está preparada para o comércio digital, se os estoques estão adequados, se o endividamento é suportável e se existe capacidade para atravessar períodos de juros elevados.
 
Porque, no varejo, esperar a crise chegar para começar a mudar pode significar chegar tarde demais.
O futuro não costuma avisar quando chega. Ele vai se construindo enquanto estamos ocupados tentando resolver os problemas do presente.
 
E talvez essa seja a principal lição deste momento: em tempo de crise, ficar vivo não depende apenas de vender mais. Depende de enxergar antes, adaptar-se mais rápido e ter coragem para mudar enquanto ainda existe tempo para mudar.
 
O varejo brasileiro ainda está de pé. Mas os sinais estão aí. E quem souber interpretá-los agora poderá estar entre os que continuarão de portas abertas quando a próxima fase começar.
João Paulo Messer
Jornalista