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O alarmismo põe a credibilidade em risco

A disputa por audiência nos mais diversos segmentos de mídia levam a exageros que colocam a credibilidade da informação

14 Agosto 2026 | Sexta-feira 07h23
Bom dia. Começar o dia também é um convite para pensar antes de acreditar em tudo aquilo que chega até nós. As redes sociais trouxeram informação em velocidade impressionante, mas também abriram espaço para o sensacionalismo ocupar um lugar perigoso. Hoje, qualquer previsão pode ganhar contornos de catástrofe em poucos minutos.

É o que estamos vendo com o alarde em torno do El Niño e de suas possíveis consequências. Há pessoas acompanhando previsões com tanta preocupação que acabam levando para a vida e até para a saúde aquilo que talvez nem aconteça.

Uma notícia sobre a possibilidade de tornado, por exemplo, muitas vezes é tratada como se todo mundo estivesse sob a ameaça imediata do fenômeno. Quando, na realidade, a área de risco pode representar apenas uma pequena faixa de determinada região.

E há outro problema: algumas previsões já ultrapassaram o período em que deveriam acontecer e simplesmente não aconteceram. Isso deveria nos ensinar que previsão é previsão, não sentença. O problema é que o sensacionalismo não está restrito à meteorologia. Ele contaminou a política, a economia, a segurança, a saúde, o esporte e praticamente todos os segmentos da informação.

Quanto mais assustadora ou extraordinária a manchete, maior parece ser a disputa por cliques, compartilhamentos e visualizações.
O engajamento imediato, porém, pode esconder um prejuízo muito maior no futuro.

Porque quem anuncia uma catástrofe que não acontece pode até ganhar atenção naquele momento. Mas, depois de algumas previsões frustradas, o público começa a desconfiar. E quando a confiança desaparece, não é apenas a fonte que perde credibilidade. Perdem credibilidade também os meios e veículos que reproduzem aquela informação sem o devido cuidado.
Informar é muito mais do que chamar atenção; é também saber medir as palavras, conferir os fatos e reconhecer as incertezas. Precisamos aprender a separar o que é alerta legítimo daquilo que é apenas alarmismo embalado para produzir audiência.

Porque notícia que não se confirma pode gerar muitos cliques hoje, mas pode custar muito caro amanhã: a credibilidade de quem informou e a confiança de quem acreditou.
João Paulo Messer
Jornalista