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Dia de dizer obrigado

Editorial: Hoje, 23 anos no ar no primeiro horário da manhã.

Vinte e três anos depois, o compromisso continua sendo o mesmo: informar com independência, ouvir a sociedade e respeitar a inteligência do ouvinte.
04 Agosto 2026 | Terça-feira 08h00

Hoje, o calendário me cobra um momento de pausa. Olho para a data no painel, e a memória faz uma viagem inevitável até aquele mesmo 3 de agosto de 2003, quando pisei aqui pela primeira vez para assumir uma responsabilidade cujo peso real eu sequer era capaz de mensurar. Se eu tivesse, naquela época, a exata dimensão do tamanho daquele desafio, confesso, sem rodeios, que não teria tido a coragem de aceitar. Naquele tempo, o rádio exercia um papel quase soberano sobre a rotina da nossa região: aquele espaço de pouco menos de três horas nas manhãs de Criciúma não era apenas um programa, era o verdadeiro centro de gravidade da cidade.

Tudo o que importava, tudo o que repercutia na política, na economia e no dia a dia das pessoas passava, obrigatoriamente, por ali.

E ali estava eu, prestes a colocar no ar um estilo absolutamente diferente de tudo o que os ouvintes estavam acostumados a escutar. Não foi um processo planejado ou amadurecido com o tempo. Eu assumi porque simplesmente não havia alternativa; não tive tempo sequer para parar e pensar nas consequências. Olhando para trás, fica claro que fui fruto de mais uma daquelas apostas ousadas que marcaram a trajetória vitoriosa do empresário Henrique Salvaro.

A escolha do meu nome não veio acompanhada de um convite formal ou de uma conversa suave; foi uma escala. Uma imposição decidida com a rapidez e a certeza de quem sabe o que faz. Ele comprou a emissora em uma tarde de sexta-feira e, sem vacilar um segundo, me avisou, de pronto, que, na segunda-feira seguinte, a condução daquele horário estaria nas minhas mãos.

A partir dali, encarar o microfone foi uma verdadeira barra. Enfrentei o julgamento imediato de uma audiência acostumada com padrões antigos. Fui xingado, desrespeitado e perdi a conta de quantas promessas categóricas ouvi de que aquela tentativa não daria certo, de que duraria muito pouco. O começo foi espinhoso, mas a persistência e a verdade do trabalho diário, aos poucos, foram abrindo caminho.

Hoje, ao completar 23 anos à frente do programa, olho para a jornada com o peito limpo e uma serenidade que só o tempo proporciona. Sem qualquer sombra de falsa modéstia, olho ao redor e percebo o quanto a história mudou. Hoje, eu transito livremente por todas as rodas da nossa sociedade, seja no debate político, nas conversas sobre a economia local, nas caminhadas pelos bairros ou nos encontros nos clubes da cidade. O respeito e a consideração que recebo em cada um desses espaços são patrimônios que eu jamais poderia ter imaginado conquistar, quanto mais ousado desejar lá no início.

Por tudo isso, hoje é um dia profundamente especial para mim. Completar mais de duas décadas neste compromisso diário com a informação e com a nossa gente é um privilégio raro. Nada disso teria sido possível sem a presença constante de cada ouvinte que liga o rádio todas as manhãs, que concorda, discorda, acompanha e faz do nosso programa parte da sua própria rotina. A todos vocês que construíram essa história ao meu lado, deixo o meu mais sincero, profundo e emocionado agradecimento.