Alfinetadas na Câmara de Criciúma revelam cenário eleitoral

As eleições entram agora em sua fase mais intensa. Faltando menos de três meses para o eleitor voltar às urnas, o tempo da articulação silenciosa vai cedendo espaço ao confronto aberto de ideias, discursos e estratégias. O clima de campanha já se impõe sobre o cotidiano político de Santa Catarina.
Um sinal claro dessa mudança foi visto ontem na Câmara de Vereadores de Criciúma. O plenário serviu de palco para o primeiro round de uma disputa que promete se repetir muitas vezes até o dia da votação. De um lado, lideranças alinhadas ao governador Jorginho Mello. Do outro, representantes do grupo político de João Rodrigues. O embate apenas começou.
Ataques, cobranças, alfinetadas e provocações tendem a se tornar rotina. Faz parte do jogo eleitoral, especialmente quando estão em disputa projetos de poder com forte influência sobre o futuro do Estado. Trata-se de uma disputa entre grupos experientes, conhecedores da política catarinense e preparados para uma campanha dura.
O que a sociedade espera, entretanto, é que o espaço destinado às acusações seja acompanhado por um debate consistente de propostas. O eleitor quer saber quais são os caminhos para a economia, a infraestrutura, a saúde, a educação e a segurança pública. A campanha precisa ir além da simples troca de responsabilidades pelos problemas existentes.
O risco é que Santa Catarina repita o roteiro visto em tantas disputas nacionais, nas quais o embate político acaba sufocando o debate de conteúdo. Em Brasília, tornou-se comum assistir a promessas recebidas com desconfiança e a candidatos permanentemente colocados sob suspeita por seus adversários. A consequência é um ambiente de descrédito que afasta o cidadão da boa política.
Ainda há tempo para mudar esse cenário. A intensidade da disputa é natural e faz parte da democracia. Mas a qualidade do debate será o verdadeiro diferencial desta eleição. No fim das contas, mais importante do que vencer um adversário é convencer o eleitor de que existem propostas concretas, viáveis e capazes de responder aos desafios do Estado.
