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O silêncio de quem atrapalha

Editorial - A cidadania se fortalece quando a participação vence a omissão.

Quem não ajuda, não deveria atrapalhar.
23 Julho 2026 | Quinta-feira 09h06

Como qualquer indivíduo que começa o dia refletindo sobre determinados assuntos, abro o programa, preferencialmente, fazendo uma provocação para que a gente pense de forma coletiva.

A força de qualquer região não está apenas nos grandes discursos de palanque, mas nas atitudes silenciosas e permanentes de quem escolhe não se omitir.

O verdadeiro sentido da cidadania se revela quando o eleitor, ou qualquer cidadão, compreende sua capacidade de transformar o coletivo a partir da própria postura.

No Brasil, essa força ganha vida diariamente em pequenas, médias e grandes associações, onde o cidadão comum abandona a passividade e decide ser agente de mudanças dentro da própria comunidade.

No entanto, estamos vivendo um movimento inverso. Cada vez mais pessoas se omitem de participar das decisões da comunidade, seja na escola dos filhos, em uma instituição, em uma empresa, em um grêmio estudantil ou em qualquer outro espaço coletivo.

Mais do que se afastarem, muitas ainda desestimulam quem decide participar.

Quem se importa com o próprio entorno compreende que a omissão não é neutralidade. É um ato individual de covardia que produz reflexos desastrosos sobre o bem comum.

Enquanto alguns movimentos se organizam com coragem para conquistar melhorias, frequentemente encontram pelo caminho os pessimistas de plantão. É o clássico "Joãozinho Ranzinza": aquela figura que duvida de tudo, acredita ser dona da razão e tenta arrastar os demais para o seu poço de desânimo, enfraquecendo quem trabalha pelo coletivo.

Diante de qualquer mobilização social, esse estorvo da coletividade logo decreta: "Isso não vai dar certo. Não vai dar em nada."

Contra esse cinismo, precisamos cultivar uma postura mais otimista e comprometida com o futuro.

Se falta disposição para acreditar na força do esforço conjunto, que exista, ao menos, a modéstia do silêncio.

Afinal, permanece atual a máxima popular: se você não pretende ajudar, por favor, não atrapalhe.

Digo isso porque existem inúmeros movimentos. Não falo apenas do Voto pelo Sul, mas de diversas iniciativas que recebem o apoio da grande maioria das pessoas preocupadas com o desenvolvimento da região.

Mesmo assim, sempre aparece alguém disposto a desestimular. Nas pequenas rodas de conversa, repete que nada vai funcionar, que nenhuma iniciativa dará resultado e que qualquer proposta está fadada ao fracasso.

Se você está vivendo esse clima de pessimismo, que tal experimentar o silêncio por um bom tempo?