Encontro com prefeitos reforça articulação política, mas escancara divisão interna na sigla

O MDB catarinense vive um daqueles momentos em que a fotografia revela mais do que o discurso. O encontro com prefeitos ao lado do governador Jorginho Mello, em Florianópolis, cumpriu dupla função: demonstrou capacidade de mobilização e, ao mesmo tempo, expôs, sem filtros, a divisão interna que atravessa o partido.
De um lado, lideranças que enxergam no alinhamento com o governo uma estratégia pragmática, sustentada por resultados administrativos e pela presença do MDB na gestão estadual. De outro, um grupo que reage ao movimento, evocando história, identidade e o legado de Luiz Henrique da Silveira como referência de um partido que não se curva a projetos alheios.
O ato, articulado pelo prefeito de Quilombo, Jackson Castelli, foi além do simbolismo. Nos bastidores, houve organização, roteiro e objetivo claro: sinalizar apoio, testar adesões e pavimentar caminhos para 2026. Vídeos, conversas reservadas e gestos calculados deram o tom de uma construção política em andamento.
A reação veio na mesma medida. O ex-governador Eduardo Pinho Moreira vocalizou o incômodo de uma ala que vê no movimento mais do que uma aproximação, enxerga um desvio de trajetória. A crítica não é apenas ao gesto, mas ao que ele representa no tabuleiro eleitoral.
Ainda assim, o cenário está longe de definição. Como ensinava Luiz Henrique, a política não se resolve em atos isolados, mas no tempo, e ele ainda corre até as convenções. Há variáveis em aberto, interesses cruzados e uma equação que passa, inevitavelmente, pela sobrevivência política de cada grupo.
No fim, o encontro entrega aquilo que o MDB historicamente sabe produzir: força e contradição no mesmo ambiente. Resta saber se haverá habilidade e linha suficiente para costurar o que hoje se apresenta como rasgo.
