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Velha cena, nova semana

A corrupção não nasce na política

A corrupção maior nasce das pequenas corrupções que a gente aceita.
23 Março 2026 | Segunda-feira 08h57

E segue a ameaça de falta de combustíveis. O que não é ameaça, mas sim fato, é que o preço dos combustíveis já extrapolou o teto. E sempre sob o argumento de que vai faltar, de que não tem e outras tantas razões.

Mas qual é a leitura que nós temos sobre isso?

Só vou fazer uma provocação. Você não acha que nós estamos vivendo tempos em que a pressa virou regra e não nos aprofundamos sobre nada?

Nem pensamos sobre o que acontece à nossa volta. Só aceitamos o que vem embalado no noticiário ou, pior, nas redes sociais?

Observamos os fatos pela superfície, reagimos rápido, julgamos mais rápido ainda. Mas será que estamos realmente entendendo o que acontece ao nosso redor?

Tomemos como exemplo a recente tensão entre Estados Unidos e Irã. Mal se anunciou o início do conflito, e o Brasil já sentiu seus efeitos. A ameaça de falta de combustível surgiu quase que instantaneamente. E, junto dela, o aumento nos preços, como um reflexo automático.

Mas aqui cabe uma pergunta que não pode ser ignorada: houve tempo real para que essa escassez fosse, de fato, provocada? Navios deixaram de cruzar oceanos em questão de horas? O petróleo deixou de existir de um dia para o outro? Ou será que, mais uma vez, assistimos ao velho roteiro do oportunismo? Um roteiro em que a desgraça alheia vira margem de lucro. Em que o medo coletivo é transformado em estratégia de mercado.

É cômodo culpar governos, apontar dedos para quem está no poder. Mas nem sempre o problema nasce ali. Muitas vezes, ele brota no terreno fértil da especulação. E isso nos leva a uma reflexão ainda mais incômoda.

Se essas práticas são comuns no nosso cotidiano, por que nos surpreendemos quando aparecem na política?

A verdade é dura, mas precisa ser dita: o Congresso, o Executivo e o Judiciário não surgem do nada. Eles são reflexo direto da sociedade que os elege.

Se toleramos pequenas vantagens no dia a dia, se normalizamos o "jeitinho" e o ganho fácil, acabamos legitimando comportamentos maiores e mais graves.

Não se constrói uma sociedade ética apenas cobrando de cima. É preciso começar de baixo, nos pequenos núcleos, nas atitudes diárias.

Que esta reflexão nos acompanhe. Que a gente aprenda a olhar além da superfície. E que a nossa semana seja, acima de tudo, consciente e produtiva.