EDITORIAL - Os tempos são mais do que de homenagem às mulheres

O Dia Internacional da Mulher, celebrado ontem, merece, sim, que lembremos que é sempre uma data de reflexão. Mais do que homenagens, flores ou mensagens nas redes sociais, ele deve servir para lembrar que a luta das mulheres por direitos, respeito e igualdade ainda está longe de terminar.
É verdade que, ao longo das últimas décadas, muitas conquistas foram alcançadas. As mulheres ampliaram sua presença no mercado de trabalho, na política, nas universidades e em espaços de decisão que, historicamente, lhes foram negados. São avanços importantes, que merecem ser reconhecidos.
Mas é impossível ignorar que, paralelamente a essas vitórias, persistem problemas graves. A violência contra a mulher continua sendo uma realidade cotidiana. Agressões físicas, psicológicas, morais e até econômicas ainda fazem parte da vida de milhares de brasileiras.
Os números mostram que o problema está longe de ser resolvido. Ontem mesmo, o delegado Márcio Campos Neves estava de plantão e escreveu nas redes sociais que, só pela manhã, atendeu a dois casos de violência contra a mulher em Criciúma.
Casos de feminicídio, denúncias de violência doméstica e episódios de assédio continuam surgindo com frequência alarmante. Isso revela que leis importantes, como as que protegem as mulheres, são fundamentais, mas, sozinhas, não são suficientes. O desafio maior está na mudança de cultura.
E não se trata de simples condenação da sociedade por esses absurdos. Temos que lembrar que a nossa cultura ainda carrega desigualdades entre homens e mulheres. Durante muito tempo, a sociedade naturalizou desigualdades e relações de poder que colocaram as mulheres em posição de inferioridade. Romper com esse padrão exige educação, conscientização e debate permanente.
É justamente por isso que datas como o Dia da Mulher não podem ser tratadas apenas como uma celebração simbólica. Precisam ser um chamado à responsabilidade coletiva. O respeito às mulheres deve ser uma prática diária: dentro de casa, nas escolas, no trabalho e nas instituições.
Ainda há desigualdade salarial, sub-representação política e muitas barreiras invisíveis que dificultam o pleno exercício dos direitos femininos. Ignorar essas questões é fechar os olhos para uma realidade que ainda exige transformação.
Portanto, mais do que comemorar conquistas, é preciso reafirmar compromissos.
Afinal, no fim das contas, não é apenas de vitórias que as mulheres precisam viver. É, sobretudo, de respeito, dignidade e da preservação da igualdade que deve existir entre todos.
