Safra mantém produtividade, mas crise de preços aperta o produtor

A colheita do arroz em Santa Catarina avança e já alcança 60% da área plantada, mas o cenário é de preocupação. A safra 2025/26 registra retração frente ao ciclo recorde anterior e enfrenta um mercado pressionado por preços baixos.
Mesmo com produtividade média de 8,5 toneladas por hectare e produção estimada em 1,2 milhão de toneladas, os números mostram queda em relação à safra passada. Ainda assim, o desempenho segue entre os melhores dos últimos anos.
O problema não está na lavoura, mas no bolso. Custos elevados com insumos, combustíveis e defensivos seguem pesando, enquanto o valor pago pelo grão não acompanha esse aumento.
Para o setor, a conta não fecha. Produtores e indústrias enfrentam um cenário de rentabilidade comprimida, o que acende o alerta para o futuro da cadeia produtiva.
A qualidade da produção foi mantida, com destaque para sementes de alto rendimento, mas o esforço no campo não se traduz em retorno financeiro proporcional.
Além da pressão econômica, o desgaste emocional também entra na equação. Plantar vendo o preço cair desanima e impacta diretamente o planejamento.
A projeção para a safra 2026/27 preocupa ainda mais. A tendência é de redução de investimentos diante da descapitalização dos produtores.
Com menos recursos, o risco é de comprometimento da próxima produção, afetando toda a cadeia do arroz.
Santa Catarina segue como peça importante no abastecimento nacional, mas o momento exige atenção: o campo produz, mas o mercado não responde.
