Editorial - O rebaixamento da escola que homenageou Lula tem mais repercussão do que a vitória da Viradouro

O carnaval revela que continuamos divididos entre nós e eles no país. A vitória da escola Unidos do Viradouro no carnaval do Rio de Janeiro é apenas a confirmação de uma tradição da disputa na avenida, sem interferência externa. É o que aparenta.
Mas foi na zona da degola, como se diz no futebol, ou seja, no rebaixamento, que residiu a maior atenção. Muitos pouco se interessaram por harmonia, samba enredo e outros quesitos técnicos. O que realmente repercutiu, aqui no Sul e em boa parte do país, foi o fato de a escola que homenageou Luiz Inácio Lula da Silva ter caído.
A leitura que se faz é a de que a queda se assemelha ao que pode vir nas urnas.
Daí, entretanto, surge outra interpretação. O carnaval reforça a tese de que o Brasil permanece dividido em dois lados. O lado que apoia Lula e o lado que o rejeita. Não se trata apenas de ser petista ou bolsonarista. Trata se de ser contra ou a favor do governo Lula.
A explicação apontada por muitos está na reprovação aos modos de operação do grupo político que permaneceu mais tempo no poder. Foram oito anos de Lula, quase quatro de Dilma Rousseff e mais quatro de Lula. Tempo suficiente para que parte do país formasse convicções sobre o que deseja ou não deseja.
Os quatro anos de Jair Bolsonaro também não foram suficientes para consolidar uma resposta definitiva sobre o que o brasileiro quer. Serviram, ao menos, para reforçar aquilo que muitos afirmam não querer.
Os articuladores petistas acreditam que o melhor adversário para Lula continua sendo Bolsonaro. Os bolsonaristas pensam o mesmo em sentido inverso. Resta saber qual será a decisão do brasileiro da labuta, do trabalho e pagador desta conta.
O que ficou do carnaval não foi a comemoração da vitória da Viradouro na Sapucaí, mas a repercussão da derrota da escola que homenageou Lula. Rebaixada.
