EDITORIAL - Em 10 dias, cinco ações do Gaeco miram a administração mais aprovada da história de Criciúma

Em dez dias, foram cinco ações de investigação com o mesmo alvo: a Prefeitura de Criciúma. Nas cinco investidas, no mesmo período e praticamente sobre o mesmo foco, ainda que em diferentes procedimentos. Qual é a conclusão a que se chega? A esperança de que a vigilância é efetiva e que o nosso patrimônio coletivo está suficientemente protegido? Ou a desilusão de que aquilo que está mais do que aprovado pelo cidadão não é exatamente o que parece?
O Gaeco virou sinônimo de combate à corrupção. Sua presença gera, de um lado, a expectativa de que o patrimônio público está resguardado; de outro, a impressão de que os alvos são seletivos. Qual é a sua conclusão?
A alegação dos alvos dessas ações é quase sempre a mesma: perseguição ou marcação. Coincidências, como movimentos políticos seguidos dessas operações, também alimentam dúvidas na cabeça do cidadão. Mas o que, de fato, devemos concluir diante de ações tão frequentes?
Confessamos a dúvida e o risco de que operações, quando iniciadas e prejudicadas por qualquer solavanco de percurso, como falta de provas ou processos conduzidos com falhas jurídicas e, por isso, anulados ou arquivados, possam gerar outro sentimento ao longo do tempo. Soma-se a isso a lentidão da Justiça.
Santa Catarina já teve uma infinidade de agentes presos, soltos e retomando suas atividades como se o que aconteceu até então tivesse sido mera formalidade de ocasião.
Ao mesmo tempo em que as operações geram sensação de transparência, alerta e vigilância sobre o bem público, cria-se a impressão de que a impunidade campeia solta e de que suspeitas são apenas suspeitas, que ações são mera efeméride no calendário da corrupção.
Nenhuma ação dessa natureza deveria deixar dúvidas sobre sua eficiência. Mas falta um trecho a partir da segunda parte: a resposta da Justiça. Que ela nos dê a certeza de que a vigilância é eficiente o suficiente para gerar confiança e oferecer o conforto que um país que combate a corrupção deseja alcançar.
