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Editorial: A Força Que Reescreve o Piso

A mobilização social virou o jogo e redefiniu o salário dos professores.

Mobilização que transforma decreto em vitória.
22 Janeiro 2026 | Quinta-feira 07h49

 

O fato é que os professores do Brasil teriam um pífio aumento de R$ 18,00. Um decreto baixado pelo presidente da República elevou esse índice, e o ganho passou a superar os R$ 200,00. Mas o detalhe está em como se chegou a esse resultado. Eu defino como uma vitória da Educação, embora alguns ainda considerem o aumento pequeno. Olhando os números e feitos os cálculos do efeito global, não é bem assim.

Aqui se destaca a força da mobilização popular. Foi ela, a reação em cadeia pelas redes sociais, que redefiniu o Piso dos Professores. Esse desfecho reafirma a importância da pressão social nas engrenagens do poder. O que se desenhava como uma afronta à dignidade do magistério, com um reajuste irrisório, foi revertido pela força coletiva e culminou na decisão do presidente Lula de decretar um aumento mais condizente com a relevância da categoria.

A notícia de que o piso salarial correria o risco de estagnação, com propostas iniciais que beiravam o simbólico, acendeu um alerta. Professores, sindicatos e estudantes não apenas ocuparam as ruas e as redes, mas pautaram o debate público com a clareza de quem sabe que não existe projeto de país sem a valorização de quem ensina.

O recuo do governo e a posterior edição do decreto não devem ser lidos apenas como uma medida administrativa, mas como uma vitória da mobilização e da reação popular. O magistério brasileiro historicamente luta contra a desvalorização. Substituir um aumento insignificante por um piso maior é um passo essencial para manter vivo o discurso de valorização mínima.

Cada real investido no salário do professor retorna para a sociedade na forma de uma educação pública de maior qualidade e de profissionais mais motivados. Este episódio deixa uma lição clara: o silêncio é o maior aliado do retrocesso. A reação popular rápida e organizada foi necessária para que o Palácio do Planalto revisse suas prioridades. É um lembrete de que o título de prioridade nacional dado à educação precisa ser acompanhado de orçamentos e decretos que honrem essa promessa.

Aplaude-se a decisão do governo, mas, acima de tudo, celebra-se a vigilância da sociedade, que provou mais uma vez que a educação é um valor inegociável.