O presidente FETAESC mostra alerta aceso ao setor agro

A agricultura brasileira chega a um ponto crítico. Um setor já vulnerável por natureza ? dependente do clima, do câmbio e de mercados voláteis ? agora sente uma pressão que ultrapassa o limite do administrável. O avanço de produtores, pequenos e grandes, rumo à recuperação judicial é o alerta mais evidente de que há algo estruturalmente errado.
Os custos de produção dispararam em todas as cadeias, comprimindo margens e empurrando atividades para o vermelho. A alta da Selic tornou dívidas impagáveis e estrangulou a capacidade de reação do produtor, já sufocado pelos insumos dolarizados e pela energia mais cara.
Para piorar, o crédito rural virou um gargalo. As linhas de custeio e investimento chegam tarde, chegam pouco ou simplesmente não chegam. Sem crédito, a roda não gira ? e isso tem impacto direto na oferta de alimentos e no bolso do consumidor.
O País já viveu crises de abastecimento provocadas por escolhas equivocadas. Repeti-las agora seria imperdoável. O aumento de mais de 60% nos pedidos de recuperação judicial em 2024 revela que o problema não está no produtor, mas na política agrícola.
Com clima extremo, commodities instáveis e economia frágil, formou-se uma tempestade perfeita. E o produtor, que sustenta boa parte da economia nacional, está à deriva.
O Estado precisa agir. Ampliar o crédito subsidiado não é favor: é estratégia de sobrevivência econômica. Ignorar o pedido de socorro do campo é comprometer não só o presente da produção, mas o futuro do país.
