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Missão diária de opinar

EDITORIAL - A abertura do programa na rádio tem o papel de provocar

Pensar é o primeiro passo para transformar. Que cada ideia nos ilumine o caminho para um amanhã mais consciente e esperançoso.
12 Dezembro 2025 | Sexta-feira 09h11

O ano que se encerra deixa no ar um peso difícil de ignorar. Em vez do alívio esperado, o país atravessou mais um ciclo de tensões, frustrações e um sentimento de indignação que parece crescer ano após ano.

Mesmo assim, seguimos alimentando a esperança, essa teimosia brasileira que insiste em acreditar que o próximo ano será melhor.

Mas a pergunta que 2025 nos deixa é incômoda: será que 2026 pode ser ainda mais tenso do que aquilo que vivemos agora?

É diante dessa dúvida que precisamos reconhecer um erro recorrente: insistimos na divisão, quando o que mais nos falta é aprender a somar.

A soma exige empatia, exige a capacidade de ouvir e entender o outro, mesmo quando a opinião contraria a nossa.

Quando defendemos apenas o nosso ponto de vista como se fosse a única verdade possível, acabamos alimentando exatamente aquilo que condenamos: uma sociedade fragmentada, ressentida, incapaz de caminhar junta.

A ira, a raiva e o veneno que destilamos ao analisar o triste cenário diário não nos aproximam de um país melhor, apenas reforçam os muros que nos separam.

Por isso, ao concluir este comentário, que é quase um ritual no programa, é preciso lembrar que todos somos livres para pensar.

O que aqui parece um editorial contundente não passa de um convite: pensar sobre o que estamos vivendo e sobre o que estamos nos tornando.

Como disse o poeta, somos metamorfoses ambulantes. E talvez essa seja a maior sabedoria: aceitar que verdades mudam, que discursos envelhecem, que a pressa atropela certezas.

Que a tolerância seja nossa companheira, em todos os momentos, em todos os sentidos.

Que cada dia comece com o astral de uma sexta-feira. Afinal, somamos mais uma semana vencida, mais um pedaço do tempo ultrapassado.

Agora, falta vencermos nós mesmos: nossa impaciência, nossa indignação crónica. E transformar tudo isso, quem sabe, em esperança.