EDITORIAL - A abertura do programa na rádio tem o papel de provocar

O ano que se encerra deixa no ar um peso difícil de ignorar. Em vez do alívio esperado, o país atravessou mais um ciclo de tensões, frustrações e um sentimento de indignação que parece crescer ano após ano.
Mesmo assim, seguimos alimentando a esperança, essa teimosia brasileira que insiste em acreditar que o próximo ano será melhor.
Mas a pergunta que 2025 nos deixa é incômoda: será que 2026 pode ser ainda mais tenso do que aquilo que vivemos agora?
É diante dessa dúvida que precisamos reconhecer um erro recorrente: insistimos na divisão, quando o que mais nos falta é aprender a somar.
A soma exige empatia, exige a capacidade de ouvir e entender o outro, mesmo quando a opinião contraria a nossa.
Quando defendemos apenas o nosso ponto de vista como se fosse a única verdade possível, acabamos alimentando exatamente aquilo que condenamos: uma sociedade fragmentada, ressentida, incapaz de caminhar junta.
A ira, a raiva e o veneno que destilamos ao analisar o triste cenário diário não nos aproximam de um país melhor, apenas reforçam os muros que nos separam.
Por isso, ao concluir este comentário, que é quase um ritual no programa, é preciso lembrar que todos somos livres para pensar.
O que aqui parece um editorial contundente não passa de um convite: pensar sobre o que estamos vivendo e sobre o que estamos nos tornando.
Como disse o poeta, somos metamorfoses ambulantes. E talvez essa seja a maior sabedoria: aceitar que verdades mudam, que discursos envelhecem, que a pressa atropela certezas.
Que a tolerância seja nossa companheira, em todos os momentos, em todos os sentidos.
Que cada dia comece com o astral de uma sexta-feira. Afinal, somamos mais uma semana vencida, mais um pedaço do tempo ultrapassado.
Agora, falta vencermos nós mesmos: nossa impaciência, nossa indignação crónica. E transformar tudo isso, quem sabe, em esperança.
