EDITORIAL - Precisamos trabalhar mais e desonerar a folha ao invés de diminuir a carga

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deu sinal verde, e o tema agora segue para o plenário, podendo até fazer uma escala por alguma comissão de economia, para o fim da jornada 6x1 e, no futuro, a adoção de um regime de 36 horas semanais.
Pelo visto, estamos vivendo em um país que transborda prosperidade. Aparentemente, sobra dinheiro, sobra produção e todo mundo está confortável. Não há mais quem precise de Bolsa Família, auxílio-gás, tarifa social de energia... Afinal, segundo essa lógica, todos já estariam usufruindo da abundância gerada por nossa própria economia.
Mas a realidade é outra: o Brasil ainda é um país pobre, com enormes desigualdades e produtividade baixa demais para que possamos nos dar ao luxo de trabalhar menos, achando que isso não terá impacto. Riqueza não brota do chão. Ela vem do trabalho, exceto, claro, se alguém optar por roubar ou tentar a sorte no jogo (o que também não recomendo). Mesmo o dinheiro das apostas, no fim das contas, nasce do esforço produtivo de alguém.
Não existe milagre econômico. Quem estuda o básico de economia sabe: riqueza depende de recursos naturais, capital, trabalho e tecnologia. Se o trabalho diminui sem contrapartida em produtividade, a riqueza diminui junto. Mas seguimos debatendo redução de jornada como se estivéssemos à espera de que, depois de alguns milênios, o maná volte a cair do céu. E, no mundo real, continua valendo a regra mais antiga da economia: não existe almoço grátis.
