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Brasil da jogatina

EDITORIAL Números mostram o tamanho do vício em jogo

Quando o jogo vira vício, o país inteiro perde.
03 Dezembro 2025 | Quarta-feira 09h43

Um estudo divulgado recentemente revela uma triste realidade que o Brasil vive. Falo das chamadas "bets" e de outros jogos de azar. Este cenário cresce muito, mas o que chama atenção neste estudo é que os danos provocados por esse vício nacional custam ao sistema de saúde cerca de R$ 30,6 bilhões por ano. O dossiê "A Saúde dos Brasileiros em Jogo", do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, mostra como a explosão das apostas online está corroendo não apenas a saúde dos jogadores, mas também os cofres públicos e o tecido social do país.

Os números assombram. O Banco Central revela que, somente em 2024, R$ 240 bilhões foram destinados a jogos. Isso significa um país que parece ter trocado planejamento por sorte, trabalho por palpites e responsabilidade por impulso.

Revela ainda que, das apostas, mais de R$ 3 bilhões, só em agosto, vieram de beneficiários do Bolsa Família, pessoas que deveriam estar garantindo comida na mesa, não alimentando uma engrenagem que lucra com o desespero.

Legalizadas em 2018, regulamentadas apenas em 2023 e taxadas de forma mais séria a partir de 2025, as casas de aposta já renderam R$ 6,8 bilhões em impostos até setembro deste ano, o que é quase nada perto do rombo social que produzem. Em outubro, a arrecadação subiu para perto de R$ 8 bilhões, o que o relatório destaca como avanço, mas que, na prática, mostra apenas que a indústria cresceu mais rápido que a capacidade do Estado de conter seus efeitos.

O custo social total estimado chega a R$ 38,8 bilhões anuais, incluindo um dado devastador: R$ 17 bilhões decorrentes de mortes adicionais por suicídio relacionadas ao vício em jogos.

Este é o retrato de um país que se acostumou à gastança fácil, que flerta perigosamente com o jogo como estilo de vida e que parece cada vez mais viciado em arriscar o futuro literalmente. Enquanto isso, os prejuízos se acumulam, vidas se perdem e o Estado corre atrás do prejuízo, sempre tarde demais.