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Greve, ferramenta desgastada

Quando faz greve, trabalhador atinge um terceiro interessado, e não quem deveria ser o alvo

A tensão nas creches expõe os limites entre reivindicação, diálogo e impacto social..
08 Maio 2026 | Sexta-feira 08h50

O dia começa sob a tensão de uma greve suspensa nas creches da Afasc, em Criciúma. Não houve, ainda, entendimento entre setores da categoria e a entidade de assistência.

No início da semana, tivemos um protesto que bloqueou o trânsito na Avenida Centenário, bem na hora do rush. Quer dizer: gerou indignação dos motoristas, que acabam sendo os afetados. Motoristas que sequer pensam em se solidarizar com as pessoas que estão ali protestando, mas, sim, ficam indignados com os manifestantes.

Hoje, de novo. Se alguns professores e monitores, mesmo com a anunciada suspensão da greve, insistirem em fazer a paralisação, irão correr o risco da demissão, assim como irão gerar mais indignação entre os pais que precisam levar os seus filhos, do que conquistar o apoio deles.

Não sei por quê, mas o fato é que, no Brasil, tornou-se quase automático recorrer às greves sempre que capital e trabalho entram em conflito.
É um direito legítimo, conquistado historicamente, mas que, muitas vezes, acaba atingindo justamente quem menos tem culpa pelas divergências.
Quando escolas suspendem aulas, o impacto cai sobre o cidadão comum.

A população trabalhadora, que depende diariamente dos serviços públicos e privados, acaba sendo a principal vítima do impasse.
É preciso refletir se não existem formas mais inteligentes e eficientes de protesto.
Em tempos de tecnologia e comunicação instantânea, movimentos organizados podem gerar enorme pressão sem paralisar completamente a vida das pessoas.

Campanhas públicas, mobilizações digitais, atos simbólicos, paralisações parciais e protestos concentrados em centros administrativos poderiam ter grande repercussão.
Também seria possível ampliar debates públicos transparentes para expor abusos e sensibilizar a sociedade.

A greve total, embora legítima, muitas vezes desgasta a imagem dos próprios trabalhadores diante da população.
E, quando a sociedade perde a empatia, perde-se também força política.
O diálogo ainda deveria ser o principal instrumento entre patrões, governos e categorias profissionais.
Nenhuma economia cresce de forma saudável em permanente clima de confronto.

O equilíbrio entre direitos trabalhistas e responsabilidade social precisa ser constantemente buscado.
Protestar é necessário; prejudicar milhões de pessoas talvez não precise mais ser o único caminho.
O Brasil precisa aprender que firmeza nas reivindicações pode caminhar junto com criatividade, responsabilidade e respeito à população.