EDITORIAL - Vivemos sob a regência de um escândalo incomparável

Apesar de tudo o que estamos vendo em paralelo no Brasil, não há como não abrir os olhos para aquele que se apresenta como o maior escândalo da história do país.
Desde os tempos do Império, da Velha e da Nova República, da ditadura, da abertura, do Brasil democratizado e do Brasil entregue à gestão de representação da massa trabalhadora, como gostam de cantarolar os aliados do atual governo Lula, nunca antes na história deste país se viu algo tão nojento e assustador como o que vem acontecendo com este tal escândalo do Banco Master.
Não que isso soe tão estranho. Não é o escândalo, mas, quem sabe, o tamanho dele que nos remete ao assustador.
Lá nos tempos passados, os escândalos eram amenizados ou varridos para debaixo dos tapetes, até mesmo com assassinatos, como foi o de PC Farias, como devem lembrar os que vivem as mazelas deste país há mais tempo. E, na madrugada de hoje, um dos homens-chave deste esquema, braço direito de Vorcaro, morreu, pelo que indicam as notícias oficiais, em consequência de suicídio, num hospital da cadeia.
O cenário nacional alcança figuras que não se restringem ao governo. Fora deste governo, dentro do governo passado e sabe-se lá por onde, neste país, há gente na lista de suspeitos.
O noticiário desta quinta-feira consegue se apresentar ainda mais assustador do que o que se teve até ontem. E não pensem que o de amanhã será menos assustador. Não cessa a inquietude sobre onde vamos parar com tudo isso.
Uma das conclusões que li hoje revela que o Banco Master era a fachada de uma máfia, cujo comandante deve ser o tal de Vorcaro. Chefe ou gerente.
O negócio é tão absurdo que o sujeito tinha capangas para ameaçar, coagir e, se fosse o caso, remover do caminho quem ameaçasse o sistema.
Encontros às escondidas com o presidente da República, relações com chefes estratégicos do governo passado são apenas alguns dos rastros deixados e agora revelados pela investigação.
Os Poderes e os poderosos estão todos envolvidos até o pescoço. O dito sistema alcançou a todos. E não são apenas os políticos. Há empresários, religiosos e outros tantos endeusados deste país que agora temem, no futuro, ter de abraçar o capeta.
