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Editorial - Acostumados à decepção

A eliminação da seleção expõe um velho hábito brasileiro: acreditar mais nas promessas do que nos fatos.

A decepção começa quando a esperança ignora os fatos.
06 Julho 2026 | Segunda-feira 09h01

Antes do apito inicial, o brasileiro já havia escolhido acreditar. Não porque a seleção inspirasse confiança, mas porque, por aqui, a esperança costuma falar mais alto do que a realidade.

Ignoramos os sinais de fragilidade técnica, transformamos desejo em diagnóstico e apostamos no improvável como se fosse destino. A eliminação para a Noruega apenas confirmou o que muitos preferiram não enxergar.

O mesmo acontece fora dos gramados. Acreditamos na promessa da picanha, no milagre econômico, na solução fácil e no discurso salvador. Criamos expectativas sobre promessas que raramente resistem ao teste da realidade.

Quando a conta chega, ela vem acompanhada da mesma frustração do apito final. O problema não está em sonhar, mas em substituir o pensamento crítico pela esperança cega.

Talvez a maior derrota do brasileiro não esteja no futebol, mas no hábito de acreditar mais no improvável do que nas evidências. A Copa apenas tornou essa lição impossível de ignorar.