EDITORIAL: Semana começa reaquecendo o debate sobre o segundo turno da eleição

A exatamente 12 dias de uma das eleições mais acirradas da história recente, o Brasil vive o ápice de um cenário em que o Judiciário se mostra profundamente politizado e a política se torna cada vez mais judicializada. As cortes eleitorais e os tribunais superiores viraram o centro das atenções, transformando cada controvérsia em disputa de liminares, enquanto o debate de propostas reais para o país é completamente sufocado.
A corda da polarização está esticada ao máximo, criando um ambiente sufocante de incertezas e de ruído constante. O modelo de propaganda adotado pelas campanhas escancara essa guerra tática e discursiva.
De um lado, Lula adota o tom de mobilização combativa nas redes ao falar em erguer um exército, uma marinha e uma aeronáutica virtuais no WhatsApp para furar o cerco judicial e garantir alcance direto aos eleitores.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro trabalha nos bastidores e no horário eleitoral para desarmar narrativas da oposição, buscando convencer a opinião pública de que seu eventual governo não irá extinguir programas sociais ou ferramentas populares do cotidiano, como o PIX.
O jogo de poder se desenrola por meio de movimentos estratégicos e silenciosos, operando no tabuleiro político com manobras que tentam inclinar o eleitorado no detalhe.
Contudo, para quem observa o cenário do Sul do Brasil, a sensação predominante é a de um quadro eleitoral praticamente sacramentado na região.
É sob este clima de tensão-limite, em que a disputa jurídica substitui a política, que se inicia a penúltima e decisiva semana antes das urnas.
