Ao longo dos 46 anos, o PT enfrenta sua maior crise

Diante da informação de que, no Rio Grande do Sul, o PT vive uma crise agravada nesta semana, combinado ao fato de o presidente Lula ter deixado escapar falas em que afirma não saber se vai ou não concorrer à reeleição, busco um pouco mais sobre o PT no país.
Ao longo dos seus 46 anos, completados agora em fevereiro, o PT apresenta, provavelmente, o cenário mais difícil. Mesmo na presidência, o partido enfrenta grandes dificuldades. E elas não estão apenas no governo federal.
Primeiro, é flagrante o movimento do partido, especialmente na manutenção de seus redutos no Nordeste e na tentativa de avançar em estados-chave do Sudeste.
O PT governa quatro estados atualmente. Em três deles, com cenário de favoritismo.
No Piauí, o governador Rafael Fonteles é candidato natural à reeleição e tem, hoje, pesquisas com média de 60 por cento de aprovação.
No Ceará, Elmano de Freitas, que também busca o segundo mandato, tem um reduto consolidado. Portanto, vai bem na reeleição, performando bem na dobradinha com Lula.
Na Bahia, o atual governador Jerônimo Rodrigues deve disputar a reeleição. A Bahia é o maior colégio eleitoral do PT e fundamental para a votação nacional do partido.
No Rio Grande do Norte, o cenário mostra-se bem diferente dos demais. Fátima Bezerra está em seu segundo mandato e não pode se reeleger. O partido discute nomes internos ou o apoio a aliados, como o MDB de Walter Alves, para manter a influência na gestão.
Em São Paulo, onde está a prioridade máxima do partido fora do Nordeste, todos nós temos acompanhado que o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é a aposta para enfrentar Tarcísio de Freitas.
No Rio Grande do Sul, pela primeira vez em 44 anos, o PT pode não ter candidato próprio ao Palácio Piratini. O partido acaba de anunciar que vai abrir mão da cabeça de chapa para apoiar uma frente ampla antibolsonarista, em torno de um nome do PDT ou PSB, visando fortalecer o palanque regional de Lula contra nomes alinhados à direita.
No Maranhão, o atual governador Carlos Brandão, do PSB, decidiu não renunciar para disputar o Senado, permanecendo no cargo. Isso impacta o PT, que tem o vice-governador Felipe Camarão como o nome natural para a sucessão. O partido busca garantir que o petista seja o candidato oficial do grupo governista.
No Distrito Federal, o PT planeja lançar candidatura própria para tentar recuperar espaço, após sucessivos resultados aquém do esperado. O nome do ex-deputado Ricardo Vale, ou nomes ligados ao movimento sindical, estão em pauta.
No Paraná, o PT está com o grupo de Ratinho Júnior.
Federação: o PT continua atuando em federação com o PCdoB e o PV, o que exige negociações internas para a definição de cada cabeça de chapa estadual.
Desincompatibilização: muitos ministros e secretários deixaram seus cargos na primeira semana de abril para estarem aptos à disputa, o que agora define o ?quadro final? das pré-candidaturas.
A estratégia central de Lula em 2026 é ser ?menos petista e mais frentista? nos estados onde o partido tem alta rejeição, visando construir maiorias legislativas e assegurar a reeleição presidencial.
