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Agora vale a campanha eleitoral

É tempo de campanha eleitoral e isso está flagrante nas ruas

17 Agosto 2026 | Segunda-feira 07h34

A campanha eleitoral ganha hoje o tom, o ritmo e as cores das ruas. O tempo oficial da disputa começou e, ao caminhar pelas cidades, o eleitor já percebe os sinais inconfundíveis desse período: santinhos distribuídos nas calçadas, banners estrategicamente posicionados, adesivos multiplicados nos vidros dos carros e, finalmente, a permissão explícita para o pedido direto de voto.

Até agora, a vantagem corria solta do lado daqueles que já tinham o nome consolidado no imaginário público. Faltando 43 dias para a decisão nas urnas, o cenário se nivela e abre espaço para que todos os concorrentes se apresentem. Contudo, a grande questão que se impõe nesta largada não é apenas quem está na disputa, mas como cada um de nós decide o seu destino político.

Somos provocados diariamente a escolher os melhores projetos, mas o fazemos acompanhados por uma incômoda e persistente dúvida: essas promessas serão, de fato, cumpridas? O histórico recente da nossa política teima em revelar que, na maioria das vezes, os compromissos assumidos em palanques viram lembranças esquecidas assim que as urnas se fecham.

Essa desconfiança crônica faz com que votar apenas em propostas pareça, para muitos, um gesto quase ingênuo. Em decorrência dessa frustração, não é raro ver a escolha se degradar no voto por pura conveniência, trocado por favores ou pela generosidade pontual do candidato. Trata-se de uma prática comum, mas que enfraquece o verdadeiro sentido da representatividade.

Ainda pior do que o desencanto é a apatia provocada pela incerteza. Pensar criticamente sobre a escolha é fundamental, sobretudo ao lembrar o quão distante de nós esse político ficará quando os holofotes se apagarem. O voto tem um peso enorme e exerce nossa liberdade máxima; por isso, não podemos nos dar ao luxo da negligência. A melhor ferramenta para decidir com firmeza continua sendo olhar para a trajetória de cada candidato, revisitar seu passado e, só então, dar a nossa sentença.

João Paulo Messer
Jornalista