EDITORIAL: Um novo dia depois das eleições

Se há algo que a história e o bom senso nos ensinam é que a democracia não começa nem termina no dia da votação. O voto é apenas um capítulo de uma história muito maior. Votar é fundamental, mas o papel do cidadão não se encerra quando aperta a tecla "confirma". Na verdade, é justamente ali que começa uma nova etapa.
Cientistas políticos, analistas e articulistas podem discordar em muitas questões, mas coincidem em um ponto essencial: a política se faz no cotidiano. A rua que precisa de asfalto, a escola do filho, o posto de saúde do bairro, o preço da feira. Tudo isso continua fazendo parte da nossa realidade.
Cobrar resultados e fiscalizar quem assume um mandato são responsabilidades de todos, independentemente da escolha feita nas urnas.
Mas este novo dia também nos convida a refletir sobre nossas vidas e relações. As campanhas passam, os mandatos terminam, os políticos mudam de lado, mas a família continua sendo a mesma. O vizinho ainda estará ali para emprestar uma ferramenta ou desejar um bom dia. O colega de trabalho continuará dividindo a mesma rotina.
Não vale a pena destruir relações permanentes por disputas passageiras. Compreender que a vida segue não significa conformismo, mas maturidade para reconhecer que as diferenças políticas não precisam comprometer o respeito e a convivência.
O Brasil, nossas cidades e o nosso futuro não dependem exclusivamente de quem ocupa uma cadeira em Brasília ou nas prefeituras. Dependem também da maneira como nos tratamos, do respeito às diferenças e da capacidade de seguir trabalhando e construindo o cotidiano.
As urnas fecharam. A vida abriu as portas para mais um dia. Que seja um dia de trabalho, respeito e reconstrução das pontes que as disputas eleitorais possam ter abalado.
Bom dia. A eleição acabou. Vamos trabalhar.
