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A hora do voto

EDITORIAL: Entre o medo e a razão, a decisão está nas mãos do eleitor.

Eleição é hoje: voto e cidadania
25 Outubro 2026 | Domingo 06h45

Está chegando a hora do voto. A eleição é domingo. Quem imaginava, em 2018 e 2022, que o cenário eleitoEral não poderia ficar ainda mais tenso é porque não sabia o que viria em 2026. A campanha se esgotou sem que o brasileiro conheça as reais propostas dos presidenciáveis. Vença quem vencer, vai governar um Brasil cheio de problemas, com ressaca moral e abalado emocionalmente.

O medo parece ter ditado as últimas horas desta campanha eleitoral. No lugar de propostas, primeiro a desqualificação do adversário, depois a geração do medo. Fomos inundados, nestes últimos dias, pela propaganda eleitoral com a política do medo. A ameaça, antes feita ao adversário, agora virou ameaça ao eleitor. Uma espécie de alerta sobre a cumplicidade diante do caos anunciado.

A decisão do voto deixou de ser uma seleção das melhores propostas e deu lugar à escolha do que parece representar o menor risco ao eleitor. Nosso debate do dia a dia passou a ser o da necessidade de termos razão. Não se discute mais nada, apenas se faz a defesa da própria razão.

A gente olha para o outro e pensa assim: "Ah, mas como ele não enxerga que está totalmente errado? Como ele não vê o que é tão lógico?". E, do outro lado, a pessoa que estamos julgando nos olha e pensa a mesma coisa. Quer dizer, nós não discutimos mais o mérito dos fatos, mas queremos fazer valer a nossa razão.

O exercício do voto é a prática da nossa liberdade, com a certeza de que ela tem consequências e de que não será o outro que vai pagar por nós. Essa conta é nossa.

Por isso, existe só uma forma de enxergar o que vem pela frente: entender que a nossa consciência precisa ser a dona dos nossos atos, não a opinião dos outros. Se quisermos ter a nossa opinião respeitada, precisamos saber respeitar a opinião dos outros.